Haemonchus contortus – Dossiê do Parasita

Haemonchus contortus - Dossiê do Parasita

Importância

Haemonchus contortus é um nematoide hematófago que parasita o abomaso de ruminantes, principalmente ovinos e caprinos. É um dos principais causadores de verminose gastrointestinal em pequenos ruminantes, levando a perdas econômicas significativas devido à mortalidade, redução de ganho de peso, queda na produção de leite e custos com tratamento.

História e Descoberta

  • Descobridor: Friedrich Zenker, patologista alemão, foi um dos primeiros a descrever o parasita em 1870.
  • A identificação de Haemonchus contortus como agente causador de anemia severa em ovinos foi um marco para a medicina veterinária. Seu nome deriva do grego “haima” (sangue) e “onkhos” (gancho), em referência à sua alimentação hematófaga e sua morfologia. A descoberta do ciclo de vida direto, com desenvolvimento no ambiente e infecção por ingestão de larvas, permitiu o desenvolvimento de estratégias de manejo e controle baseadas em rotação de pastagens, uso estratégico de anti-helmínticos e seleção genética de animais mais resistentes. Hoje, o parasita é considerado um dos principais desafios sanitários na ovinocultura tropical e subtropical.

Classificação Taxonômica de Haemonchus contortus

  • Reino: Animalia
  • Filo: Nematoda
  • Classe: Chromadorea
  • Ordem: Strongylida
  • Família: Trichostrongylidae
  • Gênero: Haemonchus
  • Espécie: H. contortus

Morfologia

  • Tamanho: Machos medem cerca de 10-20 mm; fêmeas até 30 mm.
  • Estruturas Especiais: Corpo cilíndrico, com cápsula bucal armada com lancetas cortantes. Fêmeas apresentam o padrão espiralado de “barber pole” (bastão de barbeiro), devido à alternância de intestino cheio de sangue e útero.

Epidemiologia

  • Distribuição Geográfica: Mundial, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais.
  • Hospedeiros Definitivos: Ovinos, caprinos, bovinos (menos frequentemente).
  • Fatores de Risco: Pastagens contaminadas, clima quente e úmido, manejo inadequado.
  • Transmissão e Desenvolvimento: Ovos são eliminados nas fezes, eclodem no ambiente e se desenvolvem até a forma L3 (infectante), que é ingerida pelos animais durante o pastejo.

Patogenia

  • Órgãos Afetados: Abomaso (estômago verdadeiro dos ruminantes).
  • Causa da Doença: As larvas e adultos se fixam na mucosa do abomaso e se alimentam de sangue, causando anemia, hipoproteinemia e edema.

Sinais Clínicos

  • Em Ovinos e Caprinos: Anemia (mucosas pálidas), edema submandibular (“papada de garrafa”), fraqueza, perda de peso, queda na produção de leite, morte súbita em infecções intensas.

Diagnóstico

  • Métodos Tradicionais: Contagem de ovos por grama de fezes (OPG); exame clínico das mucosas (escala FAMACHA).
  • Métodos Moleculares: PCR para diferenciação de espécies de nematoides em infecções mistas.
  • Indicação de Teste: Animais com sinais clínicos compatíveis, especialmente em épocas chuvosas ou em áreas endêmicas.

Tratamento

  • Drogas Principais: Levamisol, albendazol, ivermectina, moxidectina.
  • Protocolos: Uso estratégico com base em OPG e FAMACHA; rotação de princípios ativos para evitar resistência.

Prevenção e Controle

  • Medidas Sanitárias: Rotação de pastagens, vermifugação seletiva, manejo nutricional.
  • Seleção Genética: Uso de raças mais resistentes e programas de melhoramento genético.

Estudos Recentes

Pesquisas recentes focam no desenvolvimento de vacinas contra Haemonchus contortus, além de estudos sobre resistência a anti-helmínticos e uso de plantas medicinais com ação anti-helmíntica.

Curiosidades

  • Fato Interessante: Uma única fêmea de Haemonchus contortus pode produzir até 10.000 ovos por dia, o que explica sua rápida disseminação em rebanhos.

Referências

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