Echinococcus granulosus – Dossiê do Parasita

Echinococcus granulosus - Dossiê do Parasita

Importância

Echinococcus granulosus é um cestódeo (tênia) que causa a hidatidose (ou equinococose cística), uma doença parasitária crônica que afeta principalmente ruminantes como ovinos, caprinos e bovinos, tendo o cão como hospedeiro definitivo. A infecção tem grande impacto econômico na pecuária e representa risco à saúde pública, sendo uma zoonose de importância global.

História e Descoberta

  • Descobridor: Rudolf Leuckart, parasitologista alemão, foi um dos primeiros a descrever o ciclo de vida completo de Echinococcus granulosus no século XIX.
  • A relação entre cistos hidáticos em órgãos de animais e humanos e a presença de tênias em cães foi estabelecida após estudos experimentais que demonstraram a transmissão entre espécies. A descoberta do ciclo heteroxênico (com dois hospedeiros) foi um marco na parasitologia médica e veterinária, permitindo o desenvolvimento de estratégias de controle baseadas na interrupção da transmissão entre cães e ruminantes. Desde então, E. granulosus é monitorado em programas de saúde pública e controle sanitário animal, especialmente em regiões com criação extensiva de ovinos e presença de cães de pastoreio.

Classificação Taxonômica de Echinococcus granulosus

  • Reino: Animalia
  • Filo: Platyhelminthes
  • Classe: Cestoda
  • Ordem: Cyclophyllidea
  • Família: Taeniidae
  • Gênero: Echinococcus
  • Espécie: E. granulosus

Morfologia

  • Forma Adulta: Pequena tênia com cerca de 3 a 6 mm de comprimento, composta por escólex (com ventosas e ganchos) e 3 a 4 proglotes.
  • Forma Larval: Cisto hidático, que pode atingir vários centímetros de diâmetro nos órgãos dos hospedeiros intermediários.

Epidemiologia de Echinococcus granulosus

  • Distribuição Geográfica: Mundial, com maior prevalência em regiões de criação extensiva de ovinos e caprinos (América do Sul, Mediterrâneo, África, Ásia Central).
  • Hospedeiros Definitivos: Cães e outros canídeos.
  • Hospedeiros Intermediários: Ovinos, caprinos, bovinos, suínos e, acidentalmente, humanos.
  • Fatores de Risco: Alimentação de cães com vísceras cruas, abate informal, falta de vermifugação em cães.
  • Transmissão e Desenvolvimento: Cães eliminam ovos nas fezes; os hospedeiros intermediários ingerem os ovos, que liberam embriões que migram para fígado, pulmões e outros órgãos, formando cistos hidáticos.

Patogenia

  • Órgãos Afetados: Fígado, pulmões, baço, rins e ocasionalmente cérebro e ossos.
  • Causa da Doença: Compressão de tecidos por cistos hidáticos, levando à disfunção orgânica, inflamação e risco de ruptura com choque anafilático.

Sinais Clínicos

  • Em Ovinos e Bovinos: Geralmente assintomáticos, mas podem apresentar perda de peso e redução na produtividade.
  • Em Cães: Assintomáticos na maioria dos casos, mas são os principais transmissores.
  • Em Humanos (acidental): Sintomas variam conforme o órgão afetado — dor abdominal, tosse, sintomas neurológicos.

Diagnóstico

  • Métodos Tradicionais: Necropsia para identificação de cistos; exame coproparasitológico em cães.
  • Métodos Moleculares: PCR para detecção de DNA do parasita em fezes caninas.
  • Indicação de Teste: Presença de cães em áreas de criação de ruminantes, histórico de abate informal.

Tratamento

  • Em Cães: Praziquantel é o antiparasitário de escolha.
  • Em Hospedeiros Intermediários: Não há tratamento efetivo em animais de produção; o controle é preventivo.
  • Em Humanos: Cirurgia para remoção de cistos, combinada com albendazol.

Prevenção e Controle

  • Medidas Sanitárias: Vermifugação regular de cães, proibição de alimentação com vísceras cruas, abate supervisionado.
  • Educação Sanitária: Campanhas de conscientização sobre os riscos da hidatidose.
  • Controle de Hospedeiros: Monitoramento de cães de fazenda e descarte adequado de vísceras.

Estudos Recentes

Pesquisas recentes focam no desenvolvimento de vacinas para ovinos e no uso de ferramentas moleculares para monitoramento ambiental da presença de ovos do parasita.

Curiosidades

  • Fato Interessante: Um único cisto hidático pode conter milhares de protoscolices, cada um capaz de se desenvolver em uma nova tênia se ingerido por um cão.

Referências

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