Importância
Fasciola hepatica é um trematódeo conhecido como “baratinha do fígado” que causa fasciolose, uma doença parasitária que afeta predominantemente ruminantes como bovinos e ovinos. Este parasita é de grande relevância econômica e veterinária devido às perdas em produtividade animal e aos custos associados ao tratamento.
História e Descoberta
Descobridor: Forma e função do parasita foram descritas primeiramente no século XIX. Descobertas significativas foram feitas por Jean de Brie em 1379, com estudos detalhados posteriores por Thomas Spencer Cobbold. A exploração minuciosa da biologia de Fasciola hepatica estabeleceu uma linha de entendimento dos complexos ciclos de vida dos trematódeos hepáticos. Em meados do século XX, pesquisas delinearam os impactos devastadores da fasciolose em rebanhos e destacaram a distinção do ciclo de vida que envolve hospedeiros intermediários aquáticos, como caramujos. Essas descobertas não só promoveram a compreensão dos mecanismos de infecção, mas também apoiaram o desenvolvimento de estratégias de intervenção, incluindo o manejo de hospedeiros intermediários e melhorias na formulação de agentes anti-helmínticos.
Classificação Taxonômica de Fasciola hepatica
- Reino: Animalia
- Filo: Platyhelminthes
- Classe: Trematoda
- Ordem: Echinostomida
- Família: Fasciolidae
- Gênero: Fasciola
- Espécie: F. hepatica
Morfologia
- Estruturas Principais: Possui corpo achatado, foliáceo, medindo entre 2 a 3 cm de comprimento. A boca está na região anterior, acompanhada de ventosas orais e ventrais para aderência ao hospedeiro.
Epidemiologia
- Distribuição Geográfica: Mundial, prevalente em regiões com clima temperado e habitat adequado para caramujos.
- Hospedeiros Definitivos: Bovinos, ovinos, caprinos e outras espécies de ruminantes.
- Fatores de Risco: Áreas alagadas ou próximas a corpos d’água, onde os caramujos hospedeiros intermediários são encontrados.
- Transmissão e Desenvolvimento: Miracídios eclodem de ovos nas fezes, infectando caramujos aquáticos, onde se desenvolvem em cercárias que infectam os hospedeiros finais via ingestão de vegetação contaminada.
Patogenia
- Órgãos Afetados: Principalmente fígado e ductos biliares, causando inflamação, fibrose e bloqueio.
- Causa da Doença: Migração de larvas através do fígado e colonização dos ductos biliares levam a Hepatite traumática e colangite crônica.
Sinais Clínicos
- Em Bovinos e Ovinos: Perda de peso, diminuição de produção de leite, icterícia, dor abdominal.
- Lesões: Fígado aumentado com lesões hemorrágicas visíveis.
Diagnóstico
- Métodos Tradicionais: Exame de fezes para detecção de ovos.
- Métodos Moleculares: ELISA e testes de imunofluorescência.
- Indicação de Teste: Histórico de exposição em áreas endêmicas com sintomas clínicos compatíveis.
Tratamento
- Drogas Principais: Triclabendazol é o principal; albendazol também é utilizado em tratamentos combinados.
- Protocolos: Regimes variam conforme severidade e intervalo de infecção, com foco em controle de rebane a rebane.
Prevenção e Controle
- Medidas Sanitárias: Controle de hospedeiros intermediários (caramujos) e manejo de habitats.
- Manejo de Hospedeiros: Monitoramento em áreas endêmicas e drenagem de pastagens alagadas.
Estudos Recentes
As pesquisas mais recentes exploram a resistência a drogas e buscam desenvolver vacinas para ruminantes.
Curiosidades
- Fato Interessante: Fasciola hepatica é um dos raros trematódeos capazes de afetar humanos, resultando em fasciolose zoonótica em regiões específicas.
Referências
- OMS – Fasciolose: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/fascioliasis
- CDC – Fasciolosis: https://www.cdc.gov/parasites/fasciola/index.html






