Leishmania spp. – Dossiê do Parasita

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Importância

Os parasitas do gênero Leishmania causam leishmaniose, uma doença que afeta tanto animais quanto humanos. Em cães, atua como um reservatório principal, impactando significativamente a saúde animal e a saúde pública.

História e Descoberta

Em 1901, William Boog Leishman, um patologista britânico, fez uma descoberta revolucionária enquanto trabalhava na Índia com o Exército Britânico. Durante suas análises, Leishman encontrou corpos de parasitas em amostras de tecido de soldados que apresentavam sintomas semelhantes ao que hoje conhecemos como leishmaniose visceral. Inicialmente, esses corpos foram categorizados como sendo “corpos de Leishman-Donovan”, em colaboração com Charles Donovan, que também havia observado fenômenos semelhantes de maneira independente. Este avanço na identificação estabeleceu as bases para um entendimento mais profundo das doenças parasitárias em climas tropicais. A interação entre as observações de Leishman e Donovan culminou no reconhecimento da importância dos parasitas de Leishmania na medicina tropical. A relevância da descoberta possibilitou o desenvolvimento de estratégias de diagnóstico e tratamento, além de enfatizar a necessidade de monitoramento dos vetores, como os flebotomíneos, responsáveis pela transmissão. A partir deste ponto, a abrangência e o impacto da leishmaniose ganharam notoriedade global, firmando Leishmania como um dos patógenos de maior interesse na saúde pública, especialmente em regiões endêmicas.

Classificação Taxonômica

  • Reino: Protista
  • Filo: Euglenozoa
  • Classe: Kinetoplastea
  • Ordem: Trypanosomatida
  • Família: Trypanosomatidae
  • Gênero: Leishmania

Morfologia

  • Formas Principais: Promastigota (no vetor) e amastigota (no hospedeiro).
  • Característica Distintiva: Presença de cinetoplasto e flagelo em seus estágios promastigotas.

Epidemiologia

  • Vetores: Transmitida por flebotomíneos (mosquitos-palha).
  • Hospedeiros Definitivos: Mamíferos, especialmente cães.
  • Desenvolvimento: Os promastigotas são fagocitados por macrófagos e transformam-se em amastigotas, propagando-se no sistema reticuloendotelial.
  • Distribuição Geográfica: Endêmica em regiões tropicais e subtropicais.
  • Espécies Afetadas: Cães, humanos, roedores selvagens.
  • Fatores de Risco: Presença de vetores, áreas urbanas mal planejadas, animais domésticos infectados.

Patogenia

  • Órgãos Afetados: A pele, órgãos viscerais e sistema imunológico.
  • Causa da Doença: Proliferação de amastigotas dentro dos macrófagos, levando à disfunção tecidual e inflamação crônica.

Sinais Clínicos

  • Em Cães: Lesões de pele, perda de peso, crescimento excessivo das unhas, linfadenopatia, insuficiência renal.
  • Em Humanos: Lesões cutâneas ou úlceras, febre, esplenomegalia (no caso de leishmaniose visceral).

Diagnóstico

  • Exames de Laboratório: Cultura de parasitas, sorologia, PCR e exame microscópico de amostras de tecidos.
  • Indicação de Teste: Sinais cutâneos crônicos e exposição em áreas endêmicas.

Tratamento

  • Drogas Principais: Antimoniato de meglumina, miltefosina, Anfotericina B.
  • Protocolos: Abordagem prolongada e combinada, nem sempre curativa, com riscos de recaídas.

Prevenção e Controle

  • Controle de Vetores: Uso de inseticidas e colares repelentes em cães.
  • Gestão de Cães Infectados: Rastreamento em áreas endêmicas e medidas de manejo populacional.

Estudos Recentes

  • Estudos recentes apontados pela PubMed sobre vacinas experimentais em cães, mostrando eficácia na redução da carga parasitária e sintomas clínicos em áreas endêmicas.

Curiosidades

  • Fato Interessante: Cães desempenham um papel crítico como reservatórios para a transmissão de leishmaniose em ambientes urbanos e periurbanos.

Referências

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