Importância
Babesia spp. são protozoários parasitas transmitidos principalmente por carrapatos, conhecidos por causar babesiose, uma doença que afeta muitos animais, incluindo cães, bovinos e cavalos, com consequências graves como anemia e febre alta.
História e Descoberta
Victor Babes, um patologista e microbiologista romeno, identificou Babesia spp. pela primeira vez em 1888. Durante suas investigações no gado europeu, Babes descobriu que os protozoários eram responsáveis por episódios de febre e anemia severa nos animais afetados. Sua descoberta foi um marco na parasitologia veterinária, estabelecendo uma ligação crucial entre a doença clínica observada nos animais e a presença intra-eritrocitária dos parasitas. Esta revelação não apenas ampliou o entendimento sobre doenças transmitidas por vetores, mas também impulsionou a pesquisa em métodos de controle e tratamento, dado o impacto econômico associado às perdas no gado infectado. A relevância deste trabalho pioneiro continua a influenciar estudos subsequentes, com foco em estratégias preventivas e terapêuticas contra a babesiose em várias espécies hospedeiras.
Classificação Taxonômica
- Reino: Protista
- Filo: Apicomplexa
- Classe: Aconoidasida
- Ordem: Piroplasmida
- Família: Babesiidae
- Gênero: Babesia
Morfologia de Babesia spp.
- Tamanho: Pequenos protozoários intra-eritrocitários.
- Estruturas Especiais: Presença de anéis citoplasmáticos dentro dos glóbulos vermelhos, muitas vezes em pares ou em tríades.
Epidemiologia de Babesia spp.
- Distribuição Geográfica: Mundial, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais.
- Vetores: Principalmente carrapatos do gênero Ixodes.
- Hospedeiros Definitivos: Diversos mamíferos incluindo cães, bovinos e, menos frequentemente, equinos.
- Espécies Afetadas: Cães, bovinos, cavalos, e ocasionalmente gatos.
- Fatores de Risco: Infestação por carrapatos, presença em áreas endêmicas de carrapatos Ixodes.
- Transmissão e Desenvolvimento: Os carrapatos transmitem os esporozoítos para o hospedeiro vertebrado durante a alimentação, levando à infecção dos eritrócitos.
Patogenia
- Órgãos Afetados: Principalmente os glóbulos vermelhos, causando hemólise.
- Causa da Doença: A destruição dos glóbulos vermelhos leva a anemia hemolítica, icterícia e, em casos severos, falência de órgãos.
Sinais Clínicos
- Em Cães: Febre, letargia, fraqueza, coloração amarelada da pele e mucosas (icterícia), urina escura.
- Em Bovinos: Sintomas similares incluem febre, diminuição do apetite, e produção de leite reduzida.
Diagnóstico
- Métodos Tradicionais: Esfregaço de sangue para visualização microscópica dos parasitas.
- Métodos Moleculares: PCR para identificação genotípica das espécies de Babesia.
- Indicação de Teste: Sinais clínicos compatíveis em animais em áreas endêmicas ou após exposição a carrapatos.
Tratamento
- Drogas Principais: Imidocarb dipropionato, diminazen aceturato.
- Protocolos: Necessidade de tratamento rápido para prevenir complicações severas e potenciais recaídas.
Prevenção e Controle
- Medidas Sanitárias: Controle de carrapatos através de acaricidas e manejo ambiental.
- Vacinas: Estão em desenvolvimento e testes ainda não amplamente disponíveis.
Estudos Recentes
Um estudo recente descrito na PubMed investiga novas formulações de tratamento que combinam múltiplos agentes anti-parasitários para combater a babesiose em bovinos.
Curiosidades
- Fato Interessante: Babesia é um dos poucos parasitas capazes de sobreviver às severas condições de destruição dos glóbulos vermelhos devido à sua capacidade de replicação rápida.
Referências
- Organização Mundial da Saúde Animal – Babesiose: https://www.oie.int/en/disease/babesiosis/
- CDC – Babesiosis: https://www.cdc.gov/parasites/babesiosis/index.html






